Interapy é promovida por psicólogos alemães

bl20pl20-20guerra20iraque20civis20fugaVivem no Iraque, um dos países mais inseguros do mundo, foram vítimas de rapto, de maus tratos e à sua volta vêem morte e destruição. Por isso, a pensar nas repercussões psicológicas destas experiências, psicólogos alemães resolveram socorrer os iraquianos que sofrem de stress pós-traumático…através da Internet.

Desde o começo do projecto Interapy, na Primavera deste ano, 250 pessoas já procuraram a ajuda online dos psicólogos alemães, segundo Christine Knaevelsrud, psicóloga do centro de tratamento para vítimas de tortura (BZFO), que promove o projecto. A maioria dos que procuram as consultas gratuitas são iraquianos, mas os psicólogos também têm atendido sudaneses, palestinianos e sírios. Em comum têm os episódios traumáticos que querem exorcizar através de ajuda profissional.

A ideia da terapia online surgiu depois do sucesso do primeiro centro de psicologia que o BZFO fixou no norte do Iraque em 2005. Mas se no norte há segurança para instalar um centro, o mesmo não se pode dizer do sul do Iraque. E é precisamente aqui que os iraquianos estão mais expostos à violência. “E perante isso, perguntámo-nos o que mais poderíamos fazer [pelos iraquianos do sul]?”, lembra Knaevelsrud. A resposta: consultas pela Internet.

Psicologia por email
As consultas de psicologia online da Interapy, feitas por psicólogos que falam árabe, são sobretudo procuradas por homens, apesar do número de mulheres estar a aumentar. A idade média destes web- pacientes é de 35 anos e vêm sobretudo de classes sociais mais altas que, ao contrário da maioria da população iraquiana, têm acesso à Internet. E, mesmo entre os que procuram ajuda, muitos não chegam a completar o programa. Desistem na fase crucial e mais dolorosa, o início do tratamento.

O método consiste em três etapas: reviver o episódio causador do trauma, endereçar cartas a um amigo imaginário que passou pela mesma experiência traumática (para afastar sentimentos de culpa que normalmente afectam estas pessoas) e, por fim, há o envio de duas cartas. Uma a si próprios e outra ao causador do trauma, numa tentativa de exorcizar a ascendência que este criou sobre a vítima.

Do outro lado do computador estão nove terapeutas especializados em casos de stress pós traumático e em consultas de psicologia online. Esta técnica, desenvolvida na Holanda no final dos anos 90, é já usada em vários países, como os EUA e o Brasil.

Entre as vantagens apontadas estão as cartas, tendo em conta que, por escrito, os pacientes são mais directos a relatar as suas preocupações, o que agiliza o processo. E também porque “é mais fácil para muitas vítimas falar sem se estarem a dirigir a alguém em específico”, defende Christine Knaevelsrud, do BZFO. Mas as vantagens da “psicologia online” não são consensuais. Sem contacto directo, a relação paciente/psicólogo pode sair lesada, defendem os mais cépticos.

Aos críticos a psicóloga do BZFO responde: “Para a população iraquiana a Interapy é melhor que nenhuma ajuda”.

O projecto, desenvolvido pelo BZFO em parceria com a Universidade de Zurique, é financiado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros alemão, pela fundação Heinrich Boell e também pela Misereor, uma associação humanitária.


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